quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

poética

tô lendo sobre spielberg por causa de um trabalho sobre a cor púrpura, sobre como ele começou a filmar e pá. o cara pegou uma câmera e saiu filmando as parada dele. hoje eu tava nadando de costas, cinco e tanto da tarde, e pensando. se eu fosse diretor de cinema era assim mesmo que ia começar meu filme: só o céu azul do ponto de vista da pessoa nadando de costas; só a paz de ficar olhando pra cima, tomar como referência uma nuvem, ou a lua que tá começando a aparecer, e ir batendo perna até chegar do outro lado. só o som do ar entrando e saindo do pulmões e dos pés na água; não existe mais nada no mundo. era assim que começava.

.x. 

no começo do semestre uma professora de literatura perguntou quem gostava de poesia. uns três gatos pingados levantaram a mão; eu não me manifestei por medinho de ela perguntar poetas favoritos e pá (acho que perguntou mesmo). eu diria álvaro de campos e richard siken, apenas e tão somente. poesia não é bem o meu forte; vai ver eu não sei apreciar o negócio ou, e essa é a teoria mais aceita por mim atualmente, vai ver precisa bater tão fundo que não tem mais volta. costumavam me dizer que o que eu escrevia era prosa poética; sempre achei isso meio irônico. o fato é que, curiosamente, eu tenho escrito bastante... poesia. pelo menos eu chamo de poesia, talvez haja três gatos pingados por aí que também achariam. é assim que eu escrevo hoje em dia: com uma sinceridade que não consigo aguentar. por muito tempo eu quis conseguir fazer isso, ir catar lá dentro o que tá me roendo e colocar pra fora. o problema é que você cava e cava e parece que o buraco sempre é mais embaixo. 

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