quarta-feira, 29 de julho de 2015

Lei 13137/2015

minha carta de demissão do excelentíssimo cargo de analista de sistemas
one can dream

tomei muito no cu hoje e não do jeito que gostaria.

essa belíssima lei aí do título trouxe umas mudanças pro modo com o sistema lá do trabalho calcula os impostos federais. sobra pra quem? sobra pra mim. tenho que atualizar o sistema urgente porque se não calcular os impostos direitos não pode tirar nota, e se não pode tirar nota não pode faturar. aviso o povo que vou atualizar. são 11h da manhã quando o sistema pára.

"já terminou?" me perguntam a cada meia hora. não, não terminou. vai levar duas horas, eu digo. é mentira. 

seis horas. seis horas pra terminar de atualizar aquela bagaça, naquela tensão de que se o backup travar e der merda tem que começar de novo e vão ser no mínimo mais duas horas. 

eu já reclamei muito lá do departamento de TI ser composto apenas por mim, eu mesmo e minha sombra, e agora finalmente consegui um estagiário que vai começar semana que vem. oremos.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

porque lo que no me mata me hace más desconfiado

vinte e três é um número legal. é ímpar. gosto de números ímpares que quando somados dão outro número ímpar. 

eu tava lendo speak esses dias e pensando na escola. eu fico imaginando quanto tempo da minha vida eu vou ter que passar escrevendo pra conseguir exorcizar tudo que me aconteceu na escola, ou se vou conseguir at all. enfim.

é engraçado porque às vezes você consegue olhar pra trás, pra uma coisa que aconteceu há muito tempo, e perceber que talvez não tenha sido tão ruim assim. você consegue ter consciência de que na época era o fim do mundo, mas que hoje em dia você já não pensaria mais assim. você consegue seguir em frente. mas às vezes não dá e é como se você tivesse sido enganado. e eu penso se esse não é um dos motivos pelos quais a gente não consegue seguir em frente; porque têm algumas coisas que você nunca teve chance de amadurecer. does that make sense? em alguns aspectos da minha vida eu sempre vou ter treze anos.

eu também tinha treze anos quando comecei a entrar em crise por causa de sexualidade, então agora fazem oficialmente dez anos. por incrível que pareça, poucas da minhas piores memórias escolares são relacionadas a isso. go figure. when it come to sexualidade os dez anos realmente se passaram, mas pra outras nem tanto.

quando eu comecei a dar aula a minha cabeça deu um nó. era muito estranho voltar ao ambiente escolar, e pior ainda, sendo ensino infantil/fundamental I, que adiciona o agravante de uma época ainda mais fodida. eu não conseguia separar muito bem as coisas na minha cabeça. não conseguia que a minha experiência na infância é que foi toda errada. em alguns outros aspectos da minha vida eu sempre vou ter seis anos.

eu lembrei que tinha desenhado umas páginas sobre isso enquanto escrevia, e ora ora vejam só, foi há exatamente doze meses.

aniversários são estranhos.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

daí que eu tive um sonho

e ainda bem que anotei assim que acordei porque agora já não lembro direito dos detalhes, mas foi assim: eu sonhei que tava assistindo um filme da Barbie, só que a Barbie era o Joseph Gordon-Levitt (ela não se transformava nele, apenas era, daquele jeito que as coisas de sonho são), e o par romântico dela era o Tom Hardy. que na verdade era um punhado de formigas. daí o Tom Hardy, que na verdade são formigas, realiza um sonho da Barbie, que é o JGL, ao encher uma bota velha de doces. depois disso Barbie se dá conta de que a vida dela é uma mentira e finalmente se liberta dramaticamente da máscara de ferro. closing credits.

domingo, 12 de julho de 2015

new york i love you, but you're bringing me down

a pessoa num pode ver um topaz clean

esses dias eu sentei numa dessas calçadas do cefet (que é ifce, mas me deixa) pra comer, com aquela tristeza de quem só teve tempo de almoçar (um sanduíche) depois das três e meia da tarde. foi de onde tirei a foto, aliás.

eu tava pensando.

tô pensando nisso faz muito tempo, mas sou uma pessoa de hábitos lentos, muito lentos. qualquer mudança na minha vida que dependa de mim leva aproximadamente de dois a três anos pra acontecer, e olhe lá. enfim.

tava pensando que não quero mais ficar lá.

eu lembro que a última vez que criei um blog pessoal foi em 2010 ou 2011, quando eu ainda tava entrando na engenharia. eu poderia argumentar que quero sair porque já faz quatro anos e avancei muito pouco, porque não tenho perspectiva de me formar tão cedo etc etc. mas eu sei que se eu quisesse eu ainda poderia enrolar nisso aí por outros quatro anos, tamanho é o meu apego à zona de conforto, por mais espinhos que ela tenha. mas não é por isso, não.

o cefet, de certa forma, não pertence mais à vida que eu tenho, à pessoa que eu me tornei. é estranho pensar nisso porque eu conheço aquele lugar como a palma da minha mão (em outubro vai fazer oito anos que estudo lá); a estrutura física, cada buraco, como o sistema funciona, quem entrou e quem saiu, quem se perdeu lá dentro desde dois mil e alguma coisa como eu. eu não odeio o cefet porque ele foi o cenário de boa parte dos anos mais importantes da minha vida, mas quando ando lá dentro hoje em dia eu só quero sair. 

acho que eu não percebi isso antes porque ainda tinha um grupo de amigos lá dentro, mas todo mundo eventualmente foi embora, fazer outras coisas da vida. também fiz, mas só pela metade, com um pezinho ainda dentro da engenharia. enfim. é andando pelo cefet só, entrando e saindo de aula após aula que eu percebo o quão hostil ele é.

não tem espaço pra mim ali. e eu acho que, até certo ponto, uma das razões pra eu querer ficar por tanto tempo foi pra mostrar que era possível, que eu ia conseguir sobreviver entre os lobos. mas não vou, não. tem mulheres no cefet. tem pessoas lgbt no cefet. a computação foi construída nas nossas costas e eles nos chutaram e fizeram esse clube do bolinha das exatas que faz questão de te chutar pra fora do campo. 

não sei explicar direito. é você estar numa sala de quarenta pessoas, trinta e oito homens, e simplesmente não existir. é você ver pessoas como você entrando no jogo deles pra tentar navegar ali dentro de alguma forma. é você ver pessoas como você sendo tratadas como um bichinho de estimação no grupo, alguém com quem você brinca, mas não tem opiniões, não tem uma existência que não seja em função de algum deles.

eu não odeio o cefet. mas eu entro lá com tanta raiva, e eu entro nas salas com raiva, e eu vou buscar a minha cadeira (porque não tem cadeira o suficiente nas salas) com raiva, e eu arrasto ela pelo corredor até a sala com raiva, e eu ando entre eles sem desviar, passos pesados como se estivesse indo pra guerra, e eu nunca digo uma palavra. eu não abro a minha boca no cefet a não ser pra falar com uma conhecida ou outra há uns dois anos. 

my apologies pra pessoa que eu fui, mas ali eu não consigo ficar.



de novo né

senti falta de escrever em português.

é isso. os outros motivos pra eu querer fazer outro blog também não são muito mais elaborados que esse. senti falta de escrever em português, de escrever qualquer coisa que não envolvesse os ativismos da vida etc e tal. acho que já é razão o suficiente.

(curiosamente, acho que tenho o estranho hábito de criar blogs quando vai chegando perto do meu aniversário. pra alimentar o ego, quem sabe. to bare my soul, maybe.)