não sou muito fã de fazer retrospectivas de anos passados nem metas pra anos seguintes porque nunca tive uma relação muito boa com o tempo. por algum motivo eu passo pela vida sentindo o tempo escorrer pelas minhas mãos na mesma medida em que ele não passa rápido o suficiente.
eu não tenho uma memória muito boa. se não tiver alguma coisa pra eu anotar do meu lado sempre eu esqueço literalmente tudo que tenho que fazer (good thing i actually have a desk at work i guess). eu confundo os anos, esqueço o que aconteceu ou minha mente arquiva numa data errada, as coisas se misturam, eventualmente elas se perdem. talvez por isso tantos diários, tantos blogs e cadernos e text posts; a gente vai documentando do jeito que pode.
uns meses atrás eu fui a praia com um amigo meu. é sempre uma experiência muito emocionante porque ele deixa o carro lá na baixa da égua e vamos os dois, high as fucking kite, desbravar as areias. o mar me fascina por motivos que não sei explicar. tenho a impressão de que é mais ou menos o mesmo sentimento em relação ao espaço; uma imensidão quase incompreensível. do outro lado do mar tem outra faixa de terra em algum lugar, você só não consegue alcançar com os olhos. no espaço tem um absurdo de outras coisas que o olho não alcança, que a imaginação não alcança, não consegue conceber. se sentir pequeno desse jeito é pra mim um sopro de vida. é pra mim o que mais se aproxima de religião no meio do cinismo de todos os outros aspectos da vida.
o ano passado foi difícil em muitos aspectos, mas acho que se tem uma coisa que eu posso dizer pra resumir o que houve de bom (que felizmente também não foi pouco) é que: eu fiz as pazes comigo mesmo em tanta coisa, mas tanta coisa, que eu não sabia que ainda seria possível nessa vida. tem sido um processo longo e curiosamente recompensador, que eu reconheço nessa pessoa--que mora em mim mas que eu nunca tinha conhecido--emergindo pra superfície.
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