eu tenho um caderninho que tenho muita vontade de queimar, porque é o meu caderninho de coisas tristes e tem coisas na vida que só com fogo se expurga. toda vez que eu ficava triste, daquela tristeza de roer os ossos mesmo, eu pegava e escrevia ou desenhava alguma coisa. essa vontade de me livrar dele, no entanto, hoje em dia é mais pelo valor simbólico do que pelo sentimental.
é um sentimento estranho esse que eu tenho hoje em dia, de pegar umas coisas que eu escrevia há alguns meses ou talvez anos e não me reconhecer mais ali. lembro do que foi, de como me senti, mas já não faz mais sentido. já passou ou, o que é mais surpreendente ainda, já sei lidar. não tenho a ilusão de ser uma Pessoa Equilibrada ou até de um dia conseguir ser, mas sei que alguma parte essencial de mim mudou de alguma forma. reconheço nisso o surgimento de uma pessoa que sempre existiu, mas que eu nunca tive oportunidade de conhecer até a vida adulta. e como diria o roberto carlos, esse cara sou eu.
os fantasmas que me perseguem ainda existem. talvez eu ainda esteja passando pelo luto pela pessoa que me encarreguei de construir pra me proteger, mas o tempo dela já passou. vocês me desculpem a sinceridade, mas sempre vou recorrer ao momento em que supernatural mandou aquela real, já mandada tantas outras vezes em outras ficções, de que it doesn't matter what you are, it only matters what you do. and i wanna do better.