terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

baby shoes, never worn

esses dias eu tava escrevendo uma carta pra um amigo meu. faz tempo que não escrevo cartas, em parte porque da última vez que enviei uma o resultado não foi muito favorável, em parte porque hoje em dia meu pulso dói quando escrevo. o fato é que uns meses atrás fizemos o seguinte: trocamos as cartas que recebemos ao longo dos anos pra que pudéssemos ler o que escrevemos um pro outro -- ideia dele, porque eu não curto essas coisas de relembrar passados. mas dia desses finalmente peguei pra ler. é impressionante; parece que estamos falando dos mesmos assuntos desde os catorze, quinze anos. as inquietações não mudaram tanto assim de 2007 pra cá; o que mudou foi a intensidade, o ângulo, o jeito de lidar. não deixa de ser interessante. e assustador.

.x.

nesse final de semana, num intervalo de vinte e quatro horas -- talvez um pouco menos --, o filho de uma prima minha nasceu e morreu. é uma imagem que tenho certeza que vai me assombrar pra sempre; ela segurando o caixãozinho no colo, na cadeira de rodas, recém-operada mas indo pro enterro mesmo assim. as pessoas passando, vindas de outros velórios, e olhando, dizendo "ah, é um anjinho". nunca aprendi a lidar bem com essa aleatoriedade, com a fragilidade, a facilidade que é um dia você estar aqui e no outro nunca mais. children just shouldn't be supposed to die.