esses dias eu tava escrevendo uma carta pra um amigo meu. faz tempo que não escrevo cartas, em parte porque da última vez que enviei uma o resultado não foi muito favorável, em parte porque hoje em dia meu pulso dói quando escrevo. o fato é que uns meses atrás fizemos o seguinte: trocamos as cartas que recebemos ao longo dos anos pra que pudéssemos ler o que escrevemos um pro outro -- ideia dele, porque eu não curto essas coisas de relembrar passados. mas dia desses finalmente peguei pra ler. é impressionante; parece que estamos falando dos mesmos assuntos desde os catorze, quinze anos. as inquietações não mudaram tanto assim de 2007 pra cá; o que mudou foi a intensidade, o ângulo, o jeito de lidar. não deixa de ser interessante. e assustador.
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nesse final de semana, num intervalo de vinte e quatro horas -- talvez um pouco menos --, o filho de uma prima minha nasceu e morreu. é uma imagem que tenho certeza que vai me assombrar pra sempre; ela segurando o caixãozinho no colo, na cadeira de rodas, recém-operada mas indo pro enterro mesmo assim. as pessoas passando, vindas de outros velórios, e olhando, dizendo "ah, é um anjinho". nunca aprendi a lidar bem com essa aleatoriedade, com a fragilidade, a facilidade que é um dia você estar aqui e no outro nunca mais. children just shouldn't be supposed to die.