domingo, 12 de julho de 2015

new york i love you, but you're bringing me down

a pessoa num pode ver um topaz clean

esses dias eu sentei numa dessas calçadas do cefet (que é ifce, mas me deixa) pra comer, com aquela tristeza de quem só teve tempo de almoçar (um sanduíche) depois das três e meia da tarde. foi de onde tirei a foto, aliás.

eu tava pensando.

tô pensando nisso faz muito tempo, mas sou uma pessoa de hábitos lentos, muito lentos. qualquer mudança na minha vida que dependa de mim leva aproximadamente de dois a três anos pra acontecer, e olhe lá. enfim.

tava pensando que não quero mais ficar lá.

eu lembro que a última vez que criei um blog pessoal foi em 2010 ou 2011, quando eu ainda tava entrando na engenharia. eu poderia argumentar que quero sair porque já faz quatro anos e avancei muito pouco, porque não tenho perspectiva de me formar tão cedo etc etc. mas eu sei que se eu quisesse eu ainda poderia enrolar nisso aí por outros quatro anos, tamanho é o meu apego à zona de conforto, por mais espinhos que ela tenha. mas não é por isso, não.

o cefet, de certa forma, não pertence mais à vida que eu tenho, à pessoa que eu me tornei. é estranho pensar nisso porque eu conheço aquele lugar como a palma da minha mão (em outubro vai fazer oito anos que estudo lá); a estrutura física, cada buraco, como o sistema funciona, quem entrou e quem saiu, quem se perdeu lá dentro desde dois mil e alguma coisa como eu. eu não odeio o cefet porque ele foi o cenário de boa parte dos anos mais importantes da minha vida, mas quando ando lá dentro hoje em dia eu só quero sair. 

acho que eu não percebi isso antes porque ainda tinha um grupo de amigos lá dentro, mas todo mundo eventualmente foi embora, fazer outras coisas da vida. também fiz, mas só pela metade, com um pezinho ainda dentro da engenharia. enfim. é andando pelo cefet só, entrando e saindo de aula após aula que eu percebo o quão hostil ele é.

não tem espaço pra mim ali. e eu acho que, até certo ponto, uma das razões pra eu querer ficar por tanto tempo foi pra mostrar que era possível, que eu ia conseguir sobreviver entre os lobos. mas não vou, não. tem mulheres no cefet. tem pessoas lgbt no cefet. a computação foi construída nas nossas costas e eles nos chutaram e fizeram esse clube do bolinha das exatas que faz questão de te chutar pra fora do campo. 

não sei explicar direito. é você estar numa sala de quarenta pessoas, trinta e oito homens, e simplesmente não existir. é você ver pessoas como você entrando no jogo deles pra tentar navegar ali dentro de alguma forma. é você ver pessoas como você sendo tratadas como um bichinho de estimação no grupo, alguém com quem você brinca, mas não tem opiniões, não tem uma existência que não seja em função de algum deles.

eu não odeio o cefet. mas eu entro lá com tanta raiva, e eu entro nas salas com raiva, e eu vou buscar a minha cadeira (porque não tem cadeira o suficiente nas salas) com raiva, e eu arrasto ela pelo corredor até a sala com raiva, e eu ando entre eles sem desviar, passos pesados como se estivesse indo pra guerra, e eu nunca digo uma palavra. eu não abro a minha boca no cefet a não ser pra falar com uma conhecida ou outra há uns dois anos. 

my apologies pra pessoa que eu fui, mas ali eu não consigo ficar.



Nenhum comentário:

Postar um comentário